segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Saúde da família de três dias

A seguinte oferta de emprego para médicos está circulando na internet:


"Temos 07 (sete) vagas para médicos para PSF e plantões em São Domingos do Capim, capital nacional do surf na pororoca, produtora da melhor farinha de mandioca do país, distante 2h de Belém, com estrada asfaltada de excelente qualidade cercada por lindas paisagens de fazendas,  sendo uma das mais belas estradas do estado. A cidade se derrama as margens do Rio Guamá o que oferece uma linda vista para quem chega ou sai da cidade. O custo de vida é bem accessível, com os preços baixos da carne e hortifruti. A população é pacífica e composta  em sua maioria por produtores rurais, gente simples e acolhedora. Aos interessados oferecemos o salário líquido de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) líquidos por três dias de trabalho semanais no PSF e R$ 900,00 (novecentos reais) líquidos por plantão de 24h durante a semana e R$ 1.000,00 (hum mil reais) líquidos nos finais de semana.  Se ficar no PSF e tirar dois plantões de 900,00 e dois de mil por mês os ganhos chegam a R$ 8.300,00 líquidos por mês.O pagamento ocorre sempre entre 15 e 20 de cada mês.
Contatos: (91) 9117-6060 (Secretária de Saúde) - (91)9146-2766.(Enfa. > Neri)"


Vejam a que ponto chegou a desfaçatez dos gestores da saúde no estado do Pará (será só aqui?). O cerne da estratégia saúde da família lancetado de morte com o "PSF de três dias". Ora, os demais dias não é Estratégia Saúde da Família. Afinal, a equipe não está completa. Dane-se os princípios da estratégia. Dane-se a população que não tem o médico todos os dias. A justificativa é que "os médicos não aceitam trabalhar no interior". Ora, nestas condições não aceitam mesmo.


Mas o que precisamos refletir é se vamos aceitar ferir de morte a principal estratégia de atenção primária que o movimento sanitário formulou e que os gestores insistem em não implementar. Desculpem, mas dinheiro tem. E muito. Sim, precisamos de mais recursos. OK. Entretanto, com o que temos dá para implementar atenção primária de qualidade. Espero que o Ministério da Saúde tome providências. Espero.


 

2 comentários:

  1. Valdir, acho que ja estou ficando chato de tanto repetir...o problema e a corrupcao que grassa em todas as prefeituras. Com relacao aos "gestores", vale tudo, desde parentes de politicos a cabos eleitorais. Nao tem como dar certo.

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  2. Ricardo A. Salgueiro15 de fevereiro de 2011 05:35

    A coisa é assim em todo o Brasil. E quanto é maior a oferta de médicos, maior é o abuso em relação as condições de trabalho, ética, salários, programas e legislação.

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