quinta-feira, 22 de março de 2012

Trabalho e tempo livre – estudo do IPEA

Marx teorizou que o desenvolvimento das forças produtivas e o avanço da tecnologia iriam libertar o homem do trabalho. Teríamos mais tempo para o lazer e o “ócio produtivo”. Parece que o "velho barbudo" estava errado. O desenvolvimento da tecnologia, particularmente a telemática, está invadindo o tempo livre dos trabalhadores. Seja por este estar ao alcance dos patrões pelo celular, seja pelo fato de que cada vez mais a informática dá acesso a informações e acompanhamento de processos sem a necessidade do trabalhador estar no local de trabalho. Os médicos, por exemplo, começam a receber resultados de exames por e-mail; tem acesso à imagens de exames realizados em outro estado ou outro país; poderão acompanhar, à distância, os sinais vitais de pacientes internados em UTIs;  o prontuário eletrônico já é uma realidade e o acesso a ele será cada vez mais remoto e com segurança, com a certificação digital. Vai ficar cada vez mais difícil " desconectar" do hospital.


O IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, através do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), realizou pesquisa onde ouviu a percepção dos trabalhadores na relação entre tempo de trabalho e o tempo extratrabalho ou tempo livre. Reproduzo abaixo a introdução e os principais aspectos abordados no trabalho. Ao final um link com o material na íntegra.


“O Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) é uma pesquisa domiciliar e presencial que visa captar a percepção das famílias acerca das políticas públicas implementadas pelo Estado, independente destas serem usuárias ou não dos seus programas e ações. A partir desta 2ª edição, a pesquisa passa a ser realizada em 3775 domicílios, em 212 municípios, abrangendo todas as unidades da federação. Passa também a ser utilizado o método de amostragem probabilística de modo a garantir uma margem de erro de 5% a um nível de significância de 95% para o Brasil e para as cinco grandes regiões (...)


(...) O relatório concentra-se na relação entre o tempo de trabalho e o tempo extratrabalho (ou tempo livre), tal como ela é percebida pelos entrevistados do Sips/Ipea. Analisa-se:


i) se, após o período de trabalho, o entrevistado consegue desligar-se inteiramente das preocupações próprias deste (ou se, ao contrário, tem de permanecer de sobreaviso, conectado a dispositivos de comunicação da empresa etc.);


ii) se, para além de seu trabalho, o entrevistado realiza outras atividades regulares em seu cotidiano (atividades educacionais, esportivas, religiosas, sindicais, políticas, i.e.);


iii) qual o tempo semanalmente dedicado a essas atividades extratrabalho – e se este tempo vem se reduzindo por conta do trabalho;


iv) se o tempo dedicado ao trabalho compromete a qualidade de vida do entrevistado (ao gerar cansaço, estresse e desmotivação, ao prejudicar as relações familiares e as relações de amizade, ao inviabilizar as atividades esportivas, educacionais etc.);


v) como o entrevistado se sente quando é solicitado a utilizar seu tempo livre para realizar atividades próprias do trabalho (se o sentimento é positivo ou negativo);


vi) se o entrevistado pensa em trocar de ocupação por conta do tempo despendido em seu trabalho;


vii) qual a percepção de alterações nas normas que regulam a jornada laboral (no sentido de reduzi-la das atuais 44 horas semanais para um número inferior)."


Leia o trabalho na íntegra: Trabalho e tempo livre - IPEA        

5 comentários:

  1. Parabéns por levantar o tema para discussão. Sua inteligência, compromisso social e pensamento avançado me deixam à vontade para apresentar dois pontos que considero necessários à reflexão, além das baixas remunerações:
    1- A possibilidade de termos vários vínculos profissionais publicos, privados e no consultório é um fator que nos diferencia de outras categorias. Isto é bom ou mau?
    2- A perspectiva de vida de cada um de nós frente ao mundo de consumo pode interferir com o uso de nosso tempo para o trabalho retirando-nos da vida social, famiiar, culturar, religiosa, com maior ou menor intensidade.
    Seriam estes dois fatores piores do que o avanço da tecnologia?

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  2. Dr. José de Jesus Lima Monteiro25 de março de 2012 14:43

    É Waldir, não propriamente que Marx estivesse enganado; mas, uma previsão do avanço da tecnologia naquela época, com os dados que dispunha, seria muito difícil prever o que estamos vivenciando hoje. Mas, uma coisa ele acertou: a concentração do capital em cada vez mais nas mãos de poucos, fazendo que o Estado dependa mais das grandes corporações, que não cessam de se fundirem, criando mais e mais desemprego e uma feroz disputa por mercados, deixando o Estado e os Governos impotentes, solapando todos os ganhos sociais conquistados à duras penas> Hoje é a Europa(Grecia, Portugal e Espanha e ?) . E o amahã?

    :

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  3. Edson,
    Boas reflexões. Penso que a possibilidade do múltiplo emprego atenta contra nossa saúde e qualidade de vida. Não considero a jornada de 20h semanais uma conquista. Foi uma estratégia utilizada pelo poder público para ter médicos no inicio da década de 60 do século passado. Deviam estar com necessidade de médicos e a única saída para ampliar a oferta foi diminuir a jornada. Jandira Freghali aprovou um projeto de lei possibilitando os dois vínculos para todos os profissionais de saúde. Numa penada só dobrou o exercito de reserva de profissionais de saúde...

    Me parece que o consumismo empurra os médicos a não rejeitar um novo posto de trabalho. Estava na praça da república hoje pela manhã aqui em Belém numa atividade do SINDMEPA. Encontrei uma colega médica jovem que me confessou já ter ganho tanto quanto um desembargador. Para isso dava 35 plantões ao mês...
    Trabalhar, trabalhar, trabalhar para ganhar mais dinheiro e dar objetos materiais aos filhos para compensar sua ausência num circulo vicioso perverso.

    Creio que o avanço da tecnologia não pode ser responsabilizado por esta situação. Ela é fruto do sistema econômico. O capitalismo subverte valores e transforma tudo em mercadoria. O velho barbudo, neste aspecto, ainda não foi contestado. Forte abraço.

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  4. Monteiro,
    Difícil prever onde o mundo chegará. No atual padrão de consumo dos países centrais (chegando rapidamente aos BRICS) esgotaremos os recursos naturais do mundo em pouco tempo. Teremos tempo para reverter? Quando o ser humano se dará conta do suicídio coletivo que está praticando? Perguntas impossíveis de responder. Abs.

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