sexta-feira, 6 de julho de 2012

PROVAB: entidades médicas questionam eficácia do programa e defendem carreira de Estado


Coordenei ontem (05/07) a mesa redonda "PROVAB - Analises e propostas" por ocasião do III Fórum Nacional de Ensino Médico. Transcrevo a excelente matéria publicada no Portal Médico, do CFM. Registro a presença da DENEM - Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina, na pessoa de sua Presidente, acadêmica Marcela Vieira. Para minha satisfação e entusiástico aplauso, o CFM retoma a articulação o movimento estudantil.


"As entidades médicas voltaram a alertar o governo sobre os riscos envolvidos na implementação do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) e cobraram uma solução permanente de fixação, como uma carreira de Estado. A análise crítica sobre o Programa do Ministério da Saúde foi feita nesta quinta-feira, dia 5, durante o III Fórum Nacional de Ensino Médico, evento que ocorre em Brasília.


O presidente da Mesa-Redonda “Provab: Análise e Propostas”, conselheiro Waldir Cardoso, ressaltou a necessidade de que sejam assegurados recursos da União para a manutenção da proposta e defendeu uma medida concreta. “Sem uma carreirade Estado nenhum profissional terá estímulo para enfrentar os problemas de áreas interioranas”.


No fórum, a presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), Beatriz Costa, expôs a insatisfação com o descumprimento de várias cláusulas acordadas durante a etapa de formulação da proposta. “70 % das vagas não foram ocupadas. Para mim este Programa não é promover saúde, é dar uma desculpa a população. Vocação todo mundo tem, o que falta é estimulo para se trabalhar na atenção básica”, questionou.


Segundo as entidades médicas presentes os pontos frágeis constam: ausência de preceptoriapresencial, falta de financiamento consistente, vínculos de trabalho precários, remuneração inadequada e ausência de acesso a informações sobre a implantaçãodo Provab em todo o país. “O Provab precisa melhorar muito para continuar merecendo o apoio das entidades médicas”, destacou Cardoso.


Programa - De acordo com a diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mônica Sampaio, o Provab tem 247 municípios participantes, com 329 médicos, 122 enfermeiros e 110 cirurgiões-dentistas. 463 municípios receberão 1.634 bolsistas enfermeiros e dentistas. Não há médicos bolsistas. Para a área técnica do governo, o pequeno número de municípios facilitará a supervisão e correção dos rumos do Programa, cuja remuneração média dos médicos é de R$8.277.


Segundo a diretora o Ministério está ciente da dificuldade de provimento de médicos em áreas e fixação e afirmou que o governo está estudando a adoção da carreira Médica. Entretanto Sampaio expôs outras intenções do governo: “nossa estratégia é ampliar vagas de forma ordenada que dialoguem com a expansão da rede e com necessidades do SUS”.

Mônica Sampaio afirmou que Ministério está aberto ao diálogo com as entidades e “busca valorizar a categoria para que tenhamos um sistema de qualidade e que avance para todos os cidadãos”.

Fonte: CFM           

11 comentários:

  1. OTTO FERNANDO BAPTISTA6 de julho de 2012 10:21

    O PROVAB NÃO CRIARÁ VÍNCULO DO MÉDICO COM A REGIÃO QUE ATUA.

    ESTE PROGRAMA NÃO PASSA DE UM PSF COM OUTRO NOME QUE COM O PASSAR DO TEMPO NÃO TERÁ PERNAS PARA SE MANTER JOGANDO TODA A CARGA DE RESPONSABILIDADE PARA O MUNICÍPIO.
    EXISTEM VÁRIAS EXIGÊNCIAS PARA QUE O PROVAB SEJA IMPLANTADO E, NO MEU VER, POUQUÍSSIMOS MUNICÍPIOS INTERIORANOS TERIAM CONDIÇÕES DE ACATA-LOS.

    PARA O MÉDICO QUE OPTAR POR ESTE PROGRAMA, AS VANTAGENS SÃO MÍNIMAS. O CERTO É: CARREIRA DE ESTADO PARA O MÉDICO QUE ATUAR EM PROGAMAS DE INTERIORIZAÇÃO DA MEDICINA COM SALÁRIOS JUSTOS, DEDICAÇÃO EXCLUSIVA, ESTABILIDADE COM CONCURSO PÚBLICO, ALÉM DE CONDIÇÕES PARA ATUAR DIGNAMENTE COMO PROFISSIONAL MÉDICO.

    NÃO É SÓ SALÁRIO E ESTABILIDADE NO EMPREGO QUE FIXA O MÉDICO NO SEU LOCAL DE TRABALHO, É NECESSÁRIO DAR CONDIÇOES PARA ATENDER BEM A POPULAÇÃO.

    TEREMOS QUE TER MUITO CUIDADO COM O PLANO B, OU SEJA: SE O MÉDICO BRASILEIRO NÃO QUER, EU OFEREÇO PARA O ESTRAGEIRO.

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  2. Otto, para o médico que decide (ou é obrigado) a trabalhar no interior deste país as vantagens prometidas pelo governo não saõ desprezíveis. O Programa não pretende fixar médicos. O que eles querem é levar médicos para municípios de difícil provimento com o mínimo de apoio e estrutura. Hoje estes médicos estão abandonados a própria sorte.

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  3. Muda Brasil e muda Waldir! Vc sempre apoiou o PROVAB e agora o questiona? Será q vc mudou pq percebeu q a base pressionou?
    Mario Vianna

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  4. Estou participando do PROVAB e estou muito insatisfeita, principalmente por esse abandono. Nem a prefeitura, bem o programa tem dado apoio aos participantes... Sinceramente a unica coisa que me mantém no programa é a promessa dos 10%...

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  5. Darley Rugeri Wollmann Júnior7 de julho de 2012 11:24

    Quanto a opinião de que "o Provab precisa melhorar muito para continuar merecendo o apoio das entidades médicas", ressalto que em reunião da nova Diretoria da Fenam, dia 01 e 02 de julho, em Brasília, ratificou-se a "Carta de Natal", na qual a Fenam é CONTRÁRIA ao Provab, contanto, não merecendo alegado apoio.

    Darley Rugeri Wollmann Jr - Presidente da Fenam - Regional Sul-Brasileira.

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  6. José Martins Neto7 de julho de 2012 16:34

    O Governo, na realidade, quer é mostrar que o médicos - mesmo com bons salários- não querem sair do conforto da cidade (como se a vida do médico nas grandes cidades fosse confortável ). Vivemos na correria de um emprego para outro, para, juntando os vários salários, conseguirmos sobreviver, mas, de qualquer maneira, na cidade você tem mais recursos técnicos e especialistas,tem retaguarda, este, sim, o verdadeiro motivo da pouca interiorização. Li um dia destes, no Repórter 70, que determinado município do interior paraense, mesmo oferecendo salário de cerca de 30 mil, não tinha - até então- conseguido médico. Ora, faltou explicar que o prefeito está pagando 30 mil para que um único médico seja mil (clínico, obstetra, pediatra, anestesista, cirurgião...). Exército de um homem só? Somente na música do Engenheiros do Hawaí.

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  7. É isso mesmo, Martins. Contam a história pela metade.

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  8. Darley, ave, ave! Nada como ser maniqueista. Contra e a favor! Flamengo e Fluminense! Na vida real, o buraco é mais embaixo. A política é um jogo de xadrez e não de pôquer. Temos que ter estatura para sermos dirigentes nacionais. Pense nisso.

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  9. Maria, e pode ser muito pouco. 10% em cima da nota que você tirar na sua prova, dependendo do programa de residência do seu interesse, pode não valer nada. Faça contato com a FENAM para reclamar.

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  10. Caro Mario Viana,
    Não mudei absolutamente nada. Continuo achando que a proposta é boa para os médicos que vão para o interior. O que o governo propôs é muito bom. Só que ele não está cumprindo com o que está nos editais. Ele prometeu: salário digno, preceptoria presencial e a distância, telemedicina, autonomia profissional, condições de trabalho, curso de especialização em saúde da família. Isso é bom ou não?

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  11. Rogério Gomes de Almeida Neto19 de março de 2013 17:09

    É isso mesmo!Governinho vagaba...Sempre ajudando os mais pregriçosos.O négócio é ser um preto,pobre e vagabundo!!!

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