quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Que fazer na saúde em Belém?

As campanhas municipais em todo o Brasil, com raríssimas exceções, tiveram o tema da saúde como um dos mais importantes. Em Belém não foi diferente. Todos os candidatos a prefeito abordaram o tema em virtude do verdadeiro caos que se instalou na atenção à saúde em nosso município. Mas, como diria Lênin, que fazer? Dou meu pitaco em cinco pontos.


A princípio a saúde de Belém precisa de um choque de gestão traduzido em dotar o setor de gestores e gerentes tecnicamente qualificados e comprometidos com a implementação do SUS; afastar da saúde o patrimonialismo, estabelecer perfil técnico no preenchimento dos cargos em comissão e garantir a autonomia do secretário (a) municipal na condução da política de saúde e; resgatar a autonomia e representatividade do Conselho Municipal de Saúde na perspectiva de efetivo controle social da saúde em Belém. Não ceder ao “canto da sereia” das terceirizações na gestão municipal.


Dar prioridade à atenção básica é “pule de dez” no discurso de todos os candidatos. Concordo. Na atenção básica se desenvolve a promoção da saúde e prevenção das doenças e podemos resolver até 80% dos problemas de saúde. É sabido que, aproximadamente, 50% dos pacientes que procuram médicos não tem doença orgânica. Dar acesso fácil ao sistema de saúde é um dos principais desafios do SUS e isto deve ser feito garantindo qualidade e proximidade em termos territoriais. Infelizmente, na transição do discurso à prática todos os governos mudam. Veja o governo Jatene e o de Lula/Dilma.


Equacionar o gargalo do atendimento de Urgência/Emergência é o terceiro desafio que identifico. Garantir acesso á urgência o mais próximo da residência e desafogar os prontos socorros para que estes atendam, de forma eficaz, os casos de risco de vida. Instalar a Unidades de pronto Atendimento (UPA´s) propostas pelo governo federal é importante. Mas estas não devem substituir a atenção primária e nem se transformar em entreposto de pacientes que não conseguem leitos de internação.


Não há como oferecer serviços de qualidade sem valorizar os trabalhadores de saúde. Isto significa garantir boas condições de trabalho, respeito profissional, remuneração justa e dar-lhes perspectiva de futuro através de um plano de carreira, cargos e salários. Os profissionais do setor saúde são o “patinho feio” da reforma sanitária. Um desrespeito dos gestores e governantes que transforma em falácias suas promessas de melhorar o sistema de saúde.


Por fim, na perspectiva da equidade, proponho estabelecer clara prioridade na atenção especial ao parto e puerpério, desenvolver a puericultura e que se estabeleça política de longo prazo na atenção ao idoso. Os extremos da vida. Belém está com importantíssimo déficit de maternidades. Há poucos lugares onde mulheres podem parir. A alternativa é a Santa Casa que fica superlotada é obrigada a realizar partos que não são oriundos de gestações de alto risco. Com a acelerada transição demográfica todos os municípios têm que se preparar para atender número cada vez maior de idosos na população e a rede de atenção à saúde, em todos os níveis, deve ser preparada para este desafio.


4 comentários:

  1. concordo plenamente com o que vc diz, me preucupa não só as urgências, mas o acompanhamento de pacientes portadores de doenças crônicas talves por viver muito a realidade delea na Santa Casa, assim como acontece com a gestação de alto risco, para controle de sua patologias, evitando que os mesmos agravem e aconteçam com as UPAS o que acontece com os HPS. Acho sim que precisamos de hospital municipal para atender clinica médica, idoso, cirurgico e maternidade e pediatria a nível de internação, é uma vergonha a populaçao ficar a Mercê da Central de Leito, para nosso desespero e dela tambem, amei muito atuar na saúde durante muito tempo, mas confesso que hoje já não é a mesma, pois presenciei condutas intolerantes que me fizeram deixar pra trás 22 anos de enfermagem e procurar outra profissão, além lógico das doenças adquiridas de fundo ocupacional. Parabéns, sempre pensei como você. Bjos na Drª Rosangela.

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  2. MÁRIO PINHEIRO E SILVA20 de outubro de 2012 06:29

    Parabéns Companheiro de Rotary! Em. 20.10.2012 – 09h30.

    Falou a voz da sabedoria em termos de saúde pública.
    Entendemos que o "X" da questão - saúde púbica falida -, além dos fatores socioeconômicos; tem muito a ver com a qualidade dos gestores e da equipe que compõe o sistema. Indicação política deve e sempre existirá, entretanto, que se faça com critérios técnicos e não por simpatia, bajulação ou nepotismo! O Brasil tem tantos valores individuais capacitados que não se justifica a colocação no mercado de trabalho apenas dos que têm "Q.I" - Quem indica -, daí não se poder e nem dever relegar a último plano os Concursos Públicos.
    CHEGA DE INCOMPETÊNCIA NO SISTEMA DE SAÚDE, QUE CADA TÉCNICO SEJA ALOCADO EM SEU QUADRADO PARA QUE POSSAMOS COBRAR RESPONSABILIDADE DELES. Não tem cabimento indicar analfabetos do saber específico para administrar Médicos e demais profissionais da área da saúde, bem como, também, não podemos permitir que seja BANALIZADA a Saúde Pública como se fosse apenas uma PAISAGEM NATURAL no cotidiano brasileiro; como fizeram com a pobreza, à fome e à miséria! Ante de globalizar, primeiramente devemos lutar para HUMANIZAR.
    Na visão realística da Vida, o produto da BANALIZAÇÃO é alicerçar que todos sejamos vítimas do descaso e dos descalabros políticos-administrativo-financeiro-ético do Brasil em quanto Nação.
    Opinião de: Mário Pinheiro e Silva - Trabalhador da Paz!

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  3. Anelena,
    A saúde do idoso vai requerer esforços extras do sistema de saúde. Um hospital dedicado à terceira idade já é uma necessidade. Também temos um gargalo no atendimento das especialidades clínicas como diabetes e neurologia. Nossos pacientes estão abandonados. Pior, o governo quer acabar com os poucos leitos de clínica médica que tem na Santa Casa. Mas, não vamos esmorecer! Forte abraço.

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  4. Caro Comandante mosqueirense! Obrigado pelo comentário e sábias palavras.

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