quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ministro Padilha sabatinado na CSSF da Câmara dos Deputados

Integrando a Comissão de Assuntos Políticos (CAP) acompanhei hoje, em Brasília, a audiência pública promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família com o objetivo de ouvir o Ministro da Saúde Alexandre Padilha sobre o Programa Mais Médicos e a não aplicação de 17 bilhões de reais na saúde nos anos de 2011 e 2012. A iniciativa foi dos Deputados Eleuses Paiva e Luis Henrique Mandetta.

A apresentação do Ministro seguiu a lenga-lenga de sempre: faltam médicos, compara com outros países, mostra o suposto crescimento do número de postos de trabalho, o crescimento do salário médio, o pleno emprego dos médicos, a grita dos prefeitos, jura que as condições de trabalho existem, que vão construir 14 hospitais universitários, reformar e construir milhares de UPAs e postos de saúde (com 15 bilhões de reais), que os médicos brasileiros sabotaram o Mais Médicos, que os estrangeiros não vão revalidar os diplomas para ficar “de castigo” nas cidades que escolheres, que serão avaliados em duas semanas pelas universidades públicas e os que não “passarem” serão devolvidos aos países de origem, que a bolsa líquida para estes médicos será de R$ 10.000,00, etc, etc, etc.

Sala cheia com mais de 40 deputados inscritos. Começam a falar os proponentes. Mandetta critica a falta de diálogo e a forma da implementação do Programa; Deputado Eleuses Paiva intervém e defende que Ministro de Estado da área social não dispute cargo eletivo para não “contaminar” sua atuação com interesses eleitoreiros; denuncia a falta de revalidação dos diplomas que vai fazer com que médicos mal formados atuem no país colocando em risco a saúde da população. Marcus Pestana também critica a falta de diálogo do governo Dilma com o parlamento, universidades, médicos e sociedade em geral na edição da MP 621. Jandira Freghali diz que o debate tem que ser despolarizado; entende que a MP não foi o melhor instrumento para enfrentar o problema por engessar o parlamento e criar um fato consumado com a vinda e contratação dos médicos estrangeiros; também denuncia que o governo alardeia que vai construir 14 novos hospitais universitários enquanto o hospital do Fundão, no Rio, reduziu de 600 para 150 leitos em funcionamento.

Em sua intervenção, o Deputado Ronaldo Caiado afirma que o governo nunca priorizou a saúde e exemplifica a ação de Dilma contra a aprovação de 10% das receitas da União para a saúde, no Congresso Nacional, em 2011; indaga qual município hoje, no Brasil, consegue arcar com os custos do sistema de saúde; critica, duramente, a demonização do médico pelo goveno Dilma e a falta de diálogo do governo com o parlamento; denuncia que o governo cubano fará as vezes de “gato” intermediando e recebendo os recursos pelo trabalho dos médicos cubanos; finalmente, arranca risos ao ironizar e comparar a maciça resposta positiva dos municípios ao “Quem quer Mais Médicos” com o auditório do Silvio Santos respondendo à pergunta do apresentador “Quem quer dinheiro?”.

Em resposta aos deputados Padilha jurou que os médicos estrangeiros serão avaliados, durante 15 dias, pelas universidades públicas brasileiras e os mal avaliados serão devolvidos aos seus países de origem (alguém acredita que algum “hermano” será devolvido?); acusou os médicos de atenderem mal a população e participarem de “máfias”; Insistiu que nos municípios que irão receber os médicos do Programa já há condições de trabalho e equipe de saúde completa faltando apenas o médico; justifica o uso da Medida Provisória pela emergência dos municípios por médicos (esquecendo que o PT governa o país há mais de 10 anos); propõe, sutilmente, trocar os 2 anos a mais no curso de medicina pela residência médica, no SUS, para todos os egressos; se declara favorável à carreira de estado desde que com dedicação exclusiva e para todos os profissionais de saúde (porque não a propõe no Congresso?). A audiência prosseguiu com a intervenção dos demais deputados sempre recheadas de críticas. Pouquíssimos – e os de sempre – defenderam o governo.

Minha impressão é que o Ministro está isolado e sem força política para levar avante o projeto do governo. Já o ouvi mais seguro e enfático. Se mantem pela sua habilidade e capacidade de sofismar ao lidar com dados e informações que poucos dominam. Digno de nota a ausência de muitos parlamentares petistas médicos e o fato de mesmo os deputados de partidos da base terem feito críticas ácidas e não defendido o governo. Ou todos estão seguros que vencem no parlamento ou já abandonaram o barco.

Na parte da tarde, reunimos a CAP no Conselho Federal de Medicina para despachar protocolos pendentes da última reunião de julho. Nesta reunião não analisamos projetos.

Um comentário:

  1. O Governo Dilma como um todo está fazendo um desfavor a esse país.
    As declarações do ministro Padilha sempre são repletas de demagogia e propostas que no fundo só almejam enganar a população carente de tudo e PRINCIPALMENTE Educação.

    Não faltam médicos, faltam hospitais,UTI´s, postos, macas, medicamentos e, consequentemente, condições de trabalho para os profissionais da Saúde.

    Falta vergonha na cara desse Governo que não investe em Saúde de qualidade para a população.

    Médico não faz milagre... não é curandeiro.

    Esse País não é um país sério pq faltam políticos sérios.

    Grato pela matéria

    Sou acadêmico de medicina do 5° ano

    ResponderExcluir

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