domingo, 17 de agosto de 2014

Eleição para o CFM: cadê a ética?

Os Conselhos de Medicina são órgãos fiscalizadores da ética médica e reguladores do exercício da medicina. Julgam os médicos por atos praticados no exercício da profissão. Nestes 5 anos de mandato no Conselho Federal de Medicina aprendi que não basta exercer a medicina com ética. É importante que o médico, mesmo em sua vida privada, tenha postura condizente com a representatividade que a categoria tem na sociedade. Se cobramos esta postura do médico, que dizer da conduta dos Conselheiros de Medicina? Tenho assistido, estarrecido, as atitudes de alguns Conselheiros Regionais por ocasião desta campanha eleitoral para o CFM. Senão vejamos.

Os presidentes dos Conselhos Regionais, ao presidir o Plenário, coordenam todo o processo eleitoral. Dessa forma penso que devem comportar-se como magistrados, mantendo equidistância da disputa eleitoral. Não é o que acontece no Pará. Nosso presidente, Dr. Antonio Jorge, tem interferido, diretamente, no processo eleitoral. Foi ele quem apresentou recurso junto à Comissão Eleitoral Regional para cancelar o registro da Chapa 2, Renovação e Compromisso, liderada pelo colega Hideraldo Cabeça, logicamente no interesse da Chapa 1. Derrotado em sua pretensão de ganhar a eleição por WO, usa o CRM para levar seu candidato aos principais municípios do Pará. Isso aconteceu, por exemplo, em Marabá. Em Santarém, o presidente chegou ao cúmulo de organizar um evento e anunciar a presença do candidato a Conselheiro efetivo da Chapa 1, Dr. Paulo Guzzo (ver foto). Outra situação: no dia 28/07 recebi um e-mail do Dr. Antonio Jorge, em cópia oculta, fazendo campanha da Chapa 1. Vários colegas apoiadores da Chapa 2 também receberam. Como o presidente do CRM conseguiu nosso email? Será que ele usou, para interesse privado, o mailling do Conselho Regional de Medicina (o que é proibido por resolução do CFM)? 

Num processo eleitoral os candidatos e seus apoiadores bancam, financeiramente, a campanha. Assim, não posso achar correto que o Conselheiro Regional, Dr. Paulo Guzzo, candidato a Conselheiro efetivo na Chapa 1, viaje pelo estado com passagem paga pelo CRM e ainda recebendo diárias! É desigual na disputa eleitoral e um comportamento que, a meu juízo, é antiético. Usar da maquina do Conselho para seu deslocamento e contato com os eleitores, particularmente num estado de grande dimensão territorial, como o Pará, ocasiona desequilíbrio na disputa.

Outro aspecto que chama minha atenção é o envolvimento, na eleição, do nome do meu amigo e parceiro de tantas lutas, Antonio Gonçalves Pinheiro, ícone ético da medicina brasileira. Na eleição passada Antonio Pinheiro me escolheu para seu suplente pelo passado de lutas conjuntas, por entender que meu nome ampliaria os horizontes de sua campanha, e principalmente, por temos postura ética na vida associativa e profissional. Fizemos juntos, ombro a ombro, uma difícil campanha como chapa de oposição (também éramos Chapa 2), ocasião que enfrentamos muitos daqueles que hoje usam seu nome na vã tentativa de angariar votos. Onde quer que esteja, meu amigo deve estar assistindo a tudo isso muito estarrecido.

Por todas estas situações constrangedoras é que cada vez mais se fortalece minha certeza que Hideraldo Cabeça e Léa Rosana têm muito mais condições éticas de representar os médicos do Pará no Conselho Federal de Medicina. Os médicos farão seu soberano julgamento. Ratifico meu apoio à Chapa 2, Renovação e Compromisso. Renovação dos quadros no CFM e Compromisso em ter postura ética e justa no exercício do mandato de Conselheiro Federal de Medicina.



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